Audi conquista 13ª vitória em Le Mans
16 Junho 2014 - José Soares da Costa

Pela 13ª vez desde a sua estreia em 1999, a Audi venceu as 24 Horas de Le Mans. No entanto, a vitória da marca de Ingolstadt ocorreu após uma corrida emotiva, cujo desfecho se decidiu a apenas duas horas do final da prova. Marcel Fassler, André Lotterer e Benoît Tréluyer alcançaram sua 3ª vitória no circuito de La Sarthe, tendo sido a tripla com menos problemas ao longo do fim de semana.

Com a Toyota a partir da pole position, o TS040 nº7 liderou confortavelmente desde o arranque da prova. No entanto, logo nas primeiras horas de corrida ocorreu um dos momentos decisivos do fim de semana: com a chuva a fazer a sua aparição, o TS040 nº8 (com Nicolas Lapierre ao volante), o Audi R18 nº3 (com Marco Bonanomi aos comandos) e um dos Ferrari 458 Italia da AF Corse (pilotado por Sam Bird) protagonizaram um acidente nas Hunaudieres.

Apenas o Toyota TS040 sobreviveu, arrastando-se até às boxes onde perdeu diversas voltas, ficando definitivamente arredado da luta pela vitória. Fruto da desistência do seu Audi R18, Filipe Albuquerque nem chegou a sentar-se ao volante do Sport Protótipo germânico para efectuar um turno de condução nas 24 Horas de Le Mans.

Após a saida do Safety Car, o Toyota nº7 voltou a distanciar-se dos seus rivais, imprimindo um ritmo inalcançável para os seus adversários. No entanto, tudo acabaria às 4 horas da manhã. Um problema eléctrico no Sport Protótipo nipónico levou ao seu amargo abandono após a curva de Indianapolis.

Embora não tivesse sido considerada favorita à partida, a Audi encontrava-se agora na liderança da prova. O R18 e-tron quattro nº2 de Marcel Fassler, André Lotterer e Benoît Tréluyer liderava mas um problema no turbo levou à sua ida às boxes para reparações, onde perderam cerca de 25 minutos. Algum tempo depois, foi o Audi nº1 de Lucas di Grassi, Tom Kristensen e Marc Géne a sofrer o mesmo problema, perdendo também 15 minutos com reparações.

Com isto, o Porsche 919 Hybrid nº20 de Mark Webber, Brendon Hartley e Timo Bernhard passava para a liderança da corrida. No entanto, o Porsche 919 Hybrid era incapaz de acompanhar o ritmo dos seus adversários, perdendo cerca de 4 a 5 segundos por volta para o Audi nº2, pilotado então pelo espectacular André Lotterer.

A meio da manhã, a inevitável troca de liderança acabaria por ocorrer, após uma ida às boxes para a entrada de Mark Webber para o volante do Porsche 919 Hybrid. A cerca de duas horas do final da prova, o piloto australiano sentiu alguns problemas com a viatura germânica, levando-o até às boxes apenas com a energia das baterias. O abandono seria confirmado pouco tempo depois.

Com o Audi R18 nº2 no comando e o Audi R18 nº1 na 2ª posição, as posições não se alteraram até ao final da prova, confirmando-se assim a dobradinha germânica. A Toyota também beneficiou com um pódio inesperado para o seu TS040 nº8, partilhado por Anthony Davidson, Nicolas Lapierre e Sébastien Buemi, tendo este terminado a 5 voltas do lider. Na 4ª posição terminou o melhor LMP1-L, o Rebellion R-One nº12, a cerca de dezanove voltas do vencedor da prova.

O único Porsche 919 Hybrid sobrevivente, o nº20 acabaria por sair apenas nos instantes finais da corrida para completar a prova, não sendo classificado no entanto. Quanto à 919 Hybrid nº14, dividido por Neel Jani, Marc Lieb e Romain Dumas, rumou às boxes com problemas técnicos a 1 hora e meia do final da prova e não mais saiu, sofrendo o mesmo destino do seu “irmão gémeo” na tabela classificativa.

Entre os LMP2, a Jota Sport (equipa com a qual o português Filipe Albuquerque corre no ELMS) alcançou uma surpreendente vitória. Batendo os Ligier JS P2, o revisto Zytek Z11SN nº38 foi superior à concorrência e nem a substituição de Marc Géne por Oliver Turvey (cuja participação estava inicialmente prevista para um dos LMP2 da Millenium Racing) foi suficiente para atrapalhar os planos da formação de Simon Dolan.

Na 2ª posição terminou o melhor Ligier JS P2, entregue à Thiriet by TDS Racing e partilhado por Pierre Thiriet, Tristan Gommendy e Ludovic Badey. Um braço da suspensão danificado acabaria por entregar o triunfo à Jota Sport, a cerca de 4 horas do final da corrida. No lugar mais baixo do pódio ficou o Alpine A450b-Nissan nº36 da Signatech Alpine, dividido por Oliver Webb, Nelson Panciatici e Paul-Loup Chatin.

Nos GTE-Pro, o Ferrari 458 Italia nº51 de Gianmaria Bruni, Toni Vilander e Giancarlo Fisichella bateu os rivais da Porsche, Aston Martin e Corvette. A equipa italiana sofreu enorme pressão ao longo da prova quer dos novos Chevrolet Corvette C7.R, quer do Aston Martin V8 Vantage de Darren Turner, Bruno Senna e Stefan Mucke.

No degrau intermédio do pódio classificou-se o Corvette C7.R nº73 de Jan Magnussen, Antonio Garcia e Jordan Taylor, enquanto que no lugar mais baixo terminou o Porsche 911 RSR oficial nº92 de Frederic Makowiecki, Marco Holzer e Richard Lietz. Álvaro Parente não teve a estreia perfeita em Le Mans, sofrendo um principio de incêndio no Ferrari 458 Italia nº52 da RAM Racing. Um problema na caixa de velocidades acabaria por ditar o seu abandono durante a madrugada.

Entre os GTE-Am a vitória foi para a Aston Martin V8 Vantage nº95 de Nicki Thiim, David Heinemeier Hansson e Kristian Poulsen. A equipa dominou a seu belo prazer, batendo o Porsche 911 RSR nº88 da Proton Competition, partilhado por Christian Ried, Klaus Bachler e Khalid Al Qubaisi. No último lugar do pódio ficou o Ferrari 458 Italia nº61 da AF Corse, dividido por Luis Perez Companc, Marco Cioci e Mirko Venturi. Pedro Lamy terminou a prova na 6ª posição da categoria, devido a problemas na direcção assistida do Aston Martin V8 Vantage nº98.