Porsche 935: polémico e lendário!
26 Outubro 2012 - José Soares da Costa

O Porsche 935 ficará sempre marcado na história da Porsche como uns dos carros mais emblemáticos e vitoriosos, mas também como um dos mais polémicos saído das oficinas da marca de Zuffenhausen. Aproveitando-se do permissivo regulamento do Grupo 5, destinado à criação de competição baseados em carros de estrada (Silhuetas), a Porsche criou a derradeira máquina de competição baseado no Porsche 930 Turbo, dando os recursos para que tanto a equipa oficial como as privadas alcançassem as vitórias.

Contando com o tradicional motor de 6 cilindros horizontalmente opostos (Type 935), oriundo da versão de estrada e cuja cilindrada variava entre os 2.8 e 3.2 litros de cilindrada (variando consoante a versão utilizada), o Porsche 935 tinha nos turbo compressores KKK (um ou dois, dependendo do motor instalado) o seu maior triunfo mecânico: enquanto que com a pressão a cerca de 1 bar, o motor desenvolvia 600 cv, com a pressão máxima a potência alcançava valores na casa dos 750 cv…e 366 km/h de velocidade máxima! O baixo peso (apenas 970 kg) e a utilização de uma caixa invertida de 4 velocidades (Type 930) permitia que esta enorme potência fosse explorada da melhor forma possível.

O Porsche 935 entrou em cena em 1976, competindo no então Campeonato Mundial de Marcas, destinado às viaturas de Grupo 5. A sua competitividade desde a 1ª corrida obrigou à alteração de diversas regras por parte do CSI (utilização da asa traseira do 930 de estrada, restrição nas coberturas das portas, entre outros pontos), para que competição fosse nivelada. No entanto, a marca germânica aproveitava todas as lacunas mecânicas e aerodinâmicas deixadas nos regulamentos para melhorar o Porsche 935, no que se assemelhou a um autêntico “jogo do gato e do rato” com as entidades federativas.

O constante desenvolvimento do 935, patente em pormenores como a remoção dos faróis do 911 (935/76), alargamento das vias traseiras (para melhorar o arrefecimento do motor), a criação da versão 935 “Baby” (especificamente para vencer uma única corrida da Divisão II do campeonato DRM) e a finalização da derradeira versão 935/78 Moby Dick” (com um motor arrefecido a água e alargamentos aerodinâmicos no limite do permitido pelos regulamentos) levou a que o Porsche 935 se tornasse um símbolo do desporto automóvel no final dos anos 70 e inicio dos anos 80.

Embora a Porsche fornecesse apoio aos seus clientes, as diferentes evoluções do 935 dificilmente chegaram às mãos privadas. Desta forma, estas equipas apostaram no desenvolvimento “personalizado” do 935, com os irmãos Kremer a serem dos principais pioneiros nesta área. Desde a versão K1 de 1976 até à versão K4 de 1980, as máquinas da equipa de Colónia mostraram-se bastante competitivas em qualquer competição. A vitória à geral do modelo K3 nas 24 Horas de Le Mans de 1979, pelas mãos de Klaus Ludwig, Don Whittington e Bill Whittington, foi o ponto alto de uma carreira de sucesso da Kremer e também da Porsche (150 vitórias no total com os diferentes modelos do Porsche 935).

E nada como visualizar os vídeos acima para se perceber o porquê desse mesmo sucesso…