Uma volta no Mclaren F1 GTR
21 Dezembro 2012 - José Soares da Costa

O Mclaren F1, a maravilha técnica criada pela brilhante mente de Gordon Murray, foi a joia da coroa da equipa britânica durante a década de 90. Contando com um motor BMW V12 com 6.1 litros e cerca de 630 cv, o Mclaren F1 foi considerado um dos melhores carros de estrada de sempre, ostentando durante vários anos o recorde de velocidade máxima alcançada por uma viatura de estrada (392 km/h). Conseguiria a versão GTR melhorar o que já era tecnicamente perfeito?

A versão GTR foi produzida pela primeira vez em 1995, sendo destinado unicamente para a competição. O campeonato BPR Global GT Series (percursor do FIA GT) foi lançado em 1994, suscitando o interesse da Mclaren na construção de uma versão especial do F1, destinada a este tipo de provas.

Poucas alterações foram necessárias para o efeito, necessitando apenas da instalação de um restrictor de ar no motor (reduziu a potência do motor para uns “meros” 600 cv), rollcage obrigatória e algumas modificações aerodinâmicas (condutas de ar, asa traseira, entre outras). O peso também foi reduzido, devido à remoção do interior presente na versão de estrada.

9 chassis foram construídos para a época de 1995, divididos pela GTC Racing, David Price Racing, BBA Competition, Mach One Racing e Giroix Racing Team. O principal destaque desse ano foi para a vitória nas 24 Horas de Le Mans, superiorizando-se inclusive aos protótipos presentes em prova e registando a maior velocidade de ponta dessa edição: 281 km/h.

Em 1996, a Mclaren efectuou algumas alterações de pormenor ao F1, de modo a mantê-lo tão competitivo como no ano transacto. No capítulo aerodinâmico, as secções dianteira e traseira foram renovadas. Já no capítulo mecânico, a caixa de velocidades foi substituida por uma nova versão mais leve, em magnésio. A variante de 1996 do F1 GTR é considerada a mais rápida de sempre, atingindo os 330 km/h na recta de Mulsanne e sendo 6 km/h mais rápido que os rivais Porsche 911 GT1.

A derradeira versão do F1 GTR, lançada em 1997, ficou conhecida como “Long Tail”. Para competir no novo FIA GT1 contra a oposição do Porsche 911 GT1 e Mercedes CLK-GTR, a Mclaren efectuou uma revisão completa à sua viatura de competição, alterando-a extensivamente. A carroçaria foi exaustivamente modificada, com secções dianteira e traseira bastante longas, em conjunto com uma nova asa traseira, maximizando a carga aerodinâmica alcançada. Uma nova caixa sequencial de 6 velocidades da X-Trac foi instalada e o motor viu a sua cilindrada reduzida para 6 litros (5990 cc), mantendo os 600 cv de potência.

Desta última versão, apenas 10 unidades foram construídas, todas elas de raiz. Nenhuma das versões anteriores do F1 GTR foram sujeitos a upgrade para a versão “Long Tail”. Para que a Mclaren pudesse utilizar esta versão de 1997 do GTR, 3 unidades de estrada (denominadas de F1 GT) tiveram de ser produzidas e homologadas para esse efeito. Os 2º e 3º lugares alcançados em Le Mans, bem como um punhado de vitórias no FIA GT, foram os maiores destaques desta derradeira versão do F1 GTR.

Tiff Needell esteve ao volante do Mclaren F1 GTR, mostrando aos espectadores quais as sensações de pilotar esta feroz máquina de competição na versão Indy do circuito de Brands Hatch. Passados cerca de 17 anos desde a sua criação, será que o F1 GTR é capaz de resistir à passagem dos anos e e a contínua evolução tecnológica? Tirem as vossas próprias conclusões…