Lancia LC2: Carisma e Insucesso
Durante a década de 80, a Lancia e a Martini Racing encontravam-se directamente envolvidas na competição automóvel, com o Campeonato do Mundo de Ralis a ser o palco principal desta parceria. No entanto, esta dupla lutava também pelas vitórias noutro palco tão dificil,o Campeonato do Mundo de Sport-Protótipos. O Lancia LC2 foi a aposta da marca italiana para este campeonato, onde enfrentou a Porsche, a Jaguar e a Mercedes, sem no entanto alcançar o sucesso que tanto ambicionava.
Os regulamentos do Grupo C, que colocavam o ênfase no consumo de combustível, dando total liberdade na escolha de motores a utilizar, entraram em vigor em 1982. A Lancia, ao contrário da Porsche, decidiu utilizar esse ano como desenvolvimento da sua viatura de Grupo C, preferindo utilizar o Lancia LC1 de Grupo 6 com o qual venceu 3 vezes e terminou na 2ª posição no Campeonato de Pilotos, graças a Riccardo Patrese.
O Lancia LC2 foi estreado em 1983, contando com um motor 308C Ferrari, V8 e com 2.6 litros de cilindrada (alterado para 3 litros em 1984), equipado também com dois turbos KKK. Contando inicialmente com caixas de 5 velocidades da Hewland, estas foram substituidas por unidades da Abarth a partir de 1984. Quanto ao chassis, a Dallara foi responsável pelo desenvolvimento em parceria com a Abarth.
Sendo mais rápido que o contemporâneo Porsche 956, a qualificação foi sempre o terreno favorito do Lancia LC2, estreando-se nos 1000 Km de Monza de 1983 com a pole-position. No entanto, a fiabilidade e consistência ao longo das corridas nunca foram o ponto forte da viatura italiana, conquistando apenas 3 vitórias ao longo da sua curta carreira desportiva (1983 a 1986). A 1ª vitória da Lancia com o LC2, nos 1000 Km de Spa-Francorchamps em 1985, ficou tragicamente marcada pela morte de Stefan Bellof.
Mesmo contando com pilotos de elevada qualidade (Michele Alboreto, Teo Fabi, Mauro Baldi, Alessandro Nannini e Bob Wollek, entre outros), os resultados alcançados nunca foram os esperados. Devido a esta mesma lacuna e à mudança de regulamentos no WRC a partir de 1987 (as viaturas de Grupo B seriam abandonadas em favor das viaturas de Grupo A), a Lancia decidiu apostar todos os seus recursos nos Ralis, abandonando os Sport Protótipos pela porta pequena. Os resultados desta difícil decisão são sobejamente conhecidos de todos os adeptos…










