Porsche: Evolução e Competição
22 Agosto 2013 - José Soares da Costa

A Porsche teve na competição automóvel o seu palco preferido para demonstrar ao longo dos anos as suas mais variadas capacidades técnicas, inovando e aperfeiçoando os seus conceitos e projectos. Os cânones pouco dizem à marca germânica, sendo o 911 o perfeito exemplo de uma linha de pensamento pouco comum mas cujos resultados “respondem” a qualquer crítica ou dúvida pertinente.

Na competição automóvel, a década de 1960 foi significativa para a marca de Weissach. Apesar de ter projectado o modelo 908 em 1968, com o qual trinfou na Targa Florio e sucedeu os modelos 906,907 e 910, a Porsche aproveitou a lacuna deixada pela CSI (Commission Sportive Internationale, o braço desportivo da FIA na época) e projectou um novo modelo de Grupo 4 para 1969: o Porsche 917.

Recorrendo a um novo motor flat-12 “Type 912” de 4.5 litros, o Porsche 917 utilizou inicialmente uma versão Langheck (cauda longa), que permitia alcançar velocidades na ordem dos 390 km/h. No entanto, a sua instabilidade aerodinâmica acabaria por levar à criação da versão Kurzheck (cauda curta), mais pequena e mais estável (adequada a circuitos sinuosos), mas com menor velocidade de ponta.

A evolução mecânica do 917 viu a sua cilindrada aumentar desde os 4.5 litros até aos 5.4 litros (na versão 917/30, utilizada no campeonato CanAm). Durante a sua fase final nos EUA, dois turbo compressores foram instalados para alcançar potências que ainda hoje impressionam qualquer um: 1500 cavalos em qualificação, atingidos com pressões a rondarem  os 2.7 bars.

Com a sua primeira vitória à geral em Le Mans, alcançada em 1970, a Porsche estabeleceu-se como uma referência na competição automóvel. O seu recorde na clássica prova francesa demonstra a sua dedicação e o porquê de todos considerarem o seu regresso em 2014, um evento a ser seguido bem de perto…