Daniel Ricciardo surpreeende na Hungria!
28 Julho 2014 - José Soares da Costa

O piloto australiano Daniel Ricciardo voltou a triunfar na Fórmula 1, conquistando o lugar mais alto do pódio num Grande Prémio recheado de peripécias e emoção. Fernando Alonso fez milagres com o Ferrari, alcançando a 2ª posição. Na luta pelo último lugar do pódio, os dois pilotos da Mercedes viram-se envolvidos numa animada disputa, com alguma polémica à mistura.

A cerca de 45 minutos do arranque do Grande Prémio, o paddock da Fórmula 1 foi surpreendido por um forte dilúvio que alterou todas as estratégias das equipas. Com os pilotos obrigados a partir com pneus intermédios, dadas as condições da pista, tudo era possível no Hungaroring. Nico Rosberg perdeu algum tempo no arranque, mas mantinha a 1ª posição, sendo perseguido por Valtteri Bottas e Sebastien Vettel.

A primeira situação de Safety Car seria despoletada pelo sueco Marcus Ericsson, após um forte embate nas barreiras da 4ª curva do circuito. Esta presença do Safety Car em pista seria ainda prolongada devido a mais um acidente, no mesmo local, protagonizado por Romain Grosjean. Foram vários os pilotos a rumarem às boxes neste período mas Nico Rosberg não foi um deles,  hipotecando com isso as suas hipóteses de alcançar a vitória.

Por sua vez, Lewis Hamilton aproveitou a entrada do Safety Car para se aproximar do pelotão. O piloto britânico, que já havia perdido tempo devido à sua partida da via das boxes, protagonizou ainda um pião e saída de pista na abordagem à 2ª curva do traçado húngaro, devido a uma travagem falhada do seu Mercedes W05.

Com a saída do Safety Car, Jenson Button encontrava-se na liderança da corrida com pneus intermédios, tendo atrás de si Daniel Ricciardo com pneus macios. Numa altura em que a pista encontrava-se mais seca e rápida e não havia qualquer previsão de chuva no horizonte, Jenson Button acabaria por ser obrigado a efectuar uma nova paragem para montar pneus macios, entregando a 1ª posição a Ricciardo.

Com o australiano na liderança do Grande Prémio, seria Sergio Pérez a despoletar uma nova situação de Safety Car. Os correctores molhados na entrada da recta da meta apanharam o piloto mexicano desprevido e o seu Force India acabaria por embater violentamente no muro das boxes. Aproveitando a ocasião, Ricciardo efectuou uma nova paragem nas boxes, desta feita para montar um set de pneus macios.

Fernando Alonso era agora o 1º classificado, um motivo de orgulho para os tiffosi num ano negro para a marca do cavalinho rampante. Atrás de si encontrava-se Jean-Éric Vergne, Nico Rosberg e um surpreendente Lewis Hamilton, que volta após volta, ultrapassava os seus adversários e tentava colocar a pressão sobre o seu colega de equipa na luta pelo Campeonato de Pilotos.

A Mercedes optou por trazer Rosberg às boxes para montar pneus macios e Lewis Hamilton prosseguiu com o seu brilhante exibição, ultrapassando Jean-Éric Vergne na 34ª volta e prolongando ao máximo a utilização dos pneus macios. Na 38ª volta, numa altura em que liderava a prova, Hamilton parou pela última vez nas boxes, optando então pelos pneus médios.

Daniel Ricciardo regressava à liderança da prova mas arriscava tudo numa estratégia ambiciosa. O piloto australiano teria de parar mais uma vez nas boxes, o que o obrigaria a efectuar diversas ultrapassagens numa pista complicada como o Hungaroring. Na 54ª volta, o plano foi cumprido e Ricciardo descia para a 4ª posição, atrás de Alonso, Hamilton e Rosberg.

No seio da Mercedes, polémica durante a luta de Hamilton e Rosberg. Num mensagem enviada via rádio, a Hamilton foi perguntado se facilitaria a ultrapassagem de Rosberg, ao que o piloto britânico retorquiu com uma lacónica frase: assim o faria…caso Rosberg o conseguisse alcançar. Essa realidade era facilmente constatada em pista, dado que o piloto alemão raramente conseguia aproximar-se do Mercedes W05 de Hamilton.

Nico Rosberg, que encontrava-se numa estratégia semelhante à de Daniel Ricciardo, acabaria por parar na 56ª volta do Grande Prémio. Com pneus frescos, tanto Ricciardo como Rosberg aproximavam-se rapidamente de Alonso (o líder) e Hamilton (o 2º classificado). Com 10 voltas para o final do Grande Prémio, a emoção estava ao rubro na Hungria.

Com Hamilton a utilizar o DRS para tentar apanhar Alonso na recta da meta, o único local de ultrapassagem de Ricciardo seria na 2ª curva do circuito. Na 65ª volta, o piloto australiano tentou mas falhou. Na 67ª volta, tentou novamente…e foi bem sucedido, com uma travagem bloqueada à mistura.

Na volta seguinte o Ferrari de Alonso com pneus macios gastos foi presa fácil para Daniel Ricciardo. Em plena recta da meta, o australiano lançou-se para uma ultrapassagem ao piloto espanhol, saltando para a liderança da corrida e rumando para uma espectacular vitória. Hamilton tentava tudo para ultrapassar Alonso, enquanto Rosberg aproximava-se a passos largos do duo à sua frente. Na última volta e com o piloto alemão atrás de si, Hamilton bloqueou todas as tentativas de ultrapassagem do seu colega de equipa, segurando a 3ª posição.

Felipe Massa, 5º classificado, foi o melhor representante da Williams Martini Racing no final deste Grande Prémio. Kimi Raikkonen foi 6º e conquistou no Hungaroring o seu melhor resultado em 2014. Sebastien Vettel, prejudicado com um pião em plena recta da meta, ainda terminou o Grande Prémio na 7ª posição, batendo Valtteri Bottas, Jean-Éric Vergne e Jenson Button, os últimos pilotos pontuáveis no Hungaroring.

No Campeonato de Pilotos, Nico Rosberg lidera com 202 pontos. Lewis Hamilton, com 191 pontos, reduziu a diferença para apenas 11 pontos. Daniel Ricciardo permanece na 3ª posição, com 131 pontos. Relativamente ao Campeonato de Construtores, a Mercedes lidera com 393 pontos, mais 174 do que a Red Bull. O 3º lugar é ocupado pela Ferrari, com 142 pontos.