Ferrari F40: “Besta Analógica”
15 Outubro 2014 - José Soares da Costa

O Ferrari F40. Ainda hoje, uma referência entre os supercarros, a obra prima criada em Maranello marcou uma geração e tornou-se num símbolo dos mais exclusivos automóveis de estrada. “Bebendo” inspiração na competição automóvel, o Ferrari F40 surgiu após o fim prematuro do projecto 288 GTO Evoluzione, destinado ao perigoso e letal Grupo B.

Tudo começou com o Ferrari 288 GTO, uma exótica viatura de homologação criada no inicio da década de 80 baseada no Ferrari 308 GTB. Um total de 272 Ferrari 288 GTO foram construídos, cumprindo com o requisito de 200 viaturas necessárias para homologação no Grupo B. No entanto, com a morte de Henri Toivonen e Sergio Cresto no Rali da Córsega de 1986, o Grupo B foi banido das competições internacionais da FIA.

Além dos 272 exemplares inicialmente construídos, mais 5 exemplares “especiais” foram criados. Denominados de Ferrari 288 GTO Evoluzione, possuíam um desenho mais agressivo, com apêndices aerodinâmicos generosos, bem como um motor V8 de 2855cc equipado com dois turbo compressores, capaz de chegar aos 650 cv de potência.

Sem nenhuma competição onde pudessem correr, o modelo Evoluzione acabaria por servir de inspiração à nova geração de supercarros da Ferrari: o F40, lançado em 1987. As linhas gerais do 288 GTO Evoluzione foram transportadas para o F40, bem como o seu motor e respectiva configuração. Um Evoluzione também serviu de “laboratório” durante o desenvolvimento do F40, acentuando ainda mais essa ligação genética.

O motor V8, com a cilindrada aumentada para 2936cc, viu a sua potência reduzida para 470 cv. No capítulo aerodinâmico, a maior diferença para o 288 GTO Evoluzione: em vez de um Cx alto, a Ferrari apostou numa carroçaria mais esguia, com uma secção dianteira baixa, que permitia melhorar a circulação do ar até à traseira do F40, aumentando também o apoio aerodinâmico gerado. O arrefecimento do motor foi outro aspecto melhorado com este novo desenho.

Ao contrário do Ferrari 288 GTO Evoluzione, o Ferrari F40 marcou presença nos campeonatos internacionais. No extinto BPR Global GT Series (percursor do FIA GT), os F40 GTE competiram lado a lado contra viaturas como os Mclaren F1 e os Chrysler Viper. O modelo F40 LM também foi desenvolvido para competir nas provas de GT internacionais, tal como a versão GTE.

1992 marcou o fim da história do Ferrari F40. A primeira viatura de produção a bater a marca das 200 mph (320 km/h) passava o testemunho ao Ferrari F50. A última criação em vida de Enzo Ferrari deixou um enorme legado para a marca italiana, que ainda hoje recorda, com saudade, uma época única na sua história. Sem ajudas electrónicas à mistura, puramente analógica.