Le Mans: uma história de paixão…
30 Maio 2014 - José Soares da Costa

Todos os anos na pequena localidade de Le Mans é organizada uma das mais emocionantes, desafiantes e apaixonantes corridas realizadas em todo o mundo. A sua designação? 24 Horas de Le Mans. Um nome que evoca no imaginário de muitos as longas horas junto a uma TV, rádio ou mesmo no circuito francês, acompanhando as ferozes máquinas de competição em disputa pelo troféu mais cobiçado do planeta.

A história da clássica prova francesa teve inicio a 26 e 27 de Maio de 1923, sendo a mais antiga corrida de resistência actualmente disputada. O objectivo desta prova? Um intensivo teste da resistência de viaturas de Sport em plena competição, um paradigma radicalmente oposto aos Grand Prix, onde contava apenas o puro desempenho de cada viatura.

Desta forma, a investigação dos construtores centrou-se na criação de novas técnicas que pudessem levar à construção de viaturas de Sport fiáveis, capazes de aguentarem 24 horas de competição ininterrupta. Elementos essenciais nos dias de hoje como travões de disco, ABS e limpa-vidros tiveram a sua origem nas 24 Horas de Le Mans, prova onde foram testados pela primeira vez.

A aerodinâmica foi sempre uma área em destaque nas 24 Horas de Le Mans, fruto das elevadas velocidades atingidas ao longo do circuito francês, em particular na antiga recta de Mulsanne (agora interrompida por duas chicanes colocadas em 1989). O recorde de velocidade máxima no circuito de La Sarthe encontra-se fixado em 407 km/h, tendo sido atingido por Roger Dorchy num VW P88-Peugeot na edição de 1988.

Na vertente mecânica, a variedade foi sempre um dado adquirido nas 24 Horas de Le Mans. Desde os enormes e pesados motores de 6 cilindros comprimidos dos anos 30, passando pelos pequenos 4 cilindros turbo comprimidos e terminando nos potentes motores diesel ou nos exóticos Wankel, a prova organizada pelo ACO (Automobile Club de l´Ouest) assistiu ao nascimento de diversas arquitecturas e tecnologias que beneficiaram as viaturas do dia-a-dia, reduzindo o seu consumo e aumentando a sua eficiência energética.

As fatalidades fazem parte do desporto automóvel e as 24 Horas de Le Mans não são excepção. Cerca de 21 pilotos perderam a sua vida no Circuito de La Sarthe desde 1923, tendo Allan Simonsen sido a mais recente fatalidade, em 2013. O destaque vai no entanto para a edição de 1955, onde 83 espectadores perderam a vida num acidente entre Pierre Levegh (também ele vitima do acidente) e Mike Hawtorn, na recta da meta.

As 24 Horas de Le Mans são acima de tudo uma história de paixão, dedicação e alguma dose de loucura à mistura. Com os seus altos e baixos, a história de Le Mans tem sido escrita a cada ano com novos e emocionantes capítulos, capazes de atrair e colar os espectadores ao ecrã. O que contarão os livros da edição de 2014?