McNish, Grosjean e o Renault RE40
12 Junho 2014 - José Soares da Costa

http://www.youtube.com/watch?v=G_vDjeENtD0

Há cerca de 31 anos, a Renault era um dos principais construtores envolvidos na Fórmula 1. Desde a introdução dos motores turbo em 1977, a marca francesa posicionou-se como uma das referências na categoria máxima do desporto automóvel. Em 1983, com Alain Prost e Eddie Chever ao leme da operação francesa, a Renault esteve perto da glória e dos títulos. O modelo RE40 foi o “cavalo de batalha” utilizado ao longo dessa temporada.

Desenvolvido por Michel Tétu e Jean-Claude Migeot, sob direcção de Bernard Dudot, o Renault RE40 foi projectado de acordo com os novos regulamentos em vigor para a temporada de 1983. Os túneis venturi, utilizados até 1982 para produzir o efeito solo nos Fórmula 1, foram banidos após os trágicos acidentes de Gilles Villeneuve e Didier Pironi e as inúmeras preocupações com a segurança dos monolugares.

Para 1983, os novos regulamentos obrigavam à utilização de um fundo plano obrigatório em todos os monolugares. Em contrapartida, as equipas recorreram a asas de maior dimensão, tentando recuperar algum do “downforce” perdido. O novo RE40 é o exemplo deste novo paradigma de construção, sendo o primeiro monolugar da Renault totalmente construído em fibra de carbono.

Para motorizar o novo Renault RE40 foi escolhido o veterano motor Renault Gordini EF1, introduzido pela equipa francesa na temporada de 1977. Com uma arquitectura V6 com 1.5 litros de cilindrada, foram também acoplados dois turbo-compressores KKK (um por cada bancada de cilindros) ao motor francês. A potência total desta unidade rondava os 880cv, sendo a fragilidade dos turbos o seu principal “Calcanhar de Aquiles”.

Alain Prost conquistou quatro vitórias ao longo de 1983 (Paul Ricard, Spa-Francorchamps, Silverstone e Österreichring) e esteve perto de conquistar o título mundial. O piloto francês lutou com René Arnoux e Nelson Piquet ao longo da temporada, liderando grande parte da mesma. No entanto, no Grande Prémio da África do Sul (última prova da temporada), problemas com um dos turbos do Renault RE40 de Prost levaram ao seu abandono. Nelson Piquet acabaria por se sagrar campeão mundial nesse ano, por apenas dois pontos.

O vetereano Alain McNish e Romain Grosjean, actual piloto da Lotus F1 Team, experimentaram o Renault RE40 em Silverstone e recordaram uma época de ouro da Fórmula 1, onde pilotos e máquinas fizeram as delicias dos espectadores. Um vídeo a não perder!