300 SLR: Uma lenda da Mille Miglia
27 Maio 2015 - José Soares da Costa

Em 1955, Sir Stirling Moss e Denis Jenkinson entraram para a história do desporto automóvel com a vitória na Mille Miglia, uma das últimas, famosas e perigosas provas de estrada de outrora. Ao volante do Mercedes 300 SLR nº722, a dupla cumpriu o longo percurso de 1600 Km num tempo recorde de 10 horas, 7 minutos e 48 segundos, a uma média de 158 km/h. Um feito impressionante, mesmo nos dias de hoje…

Em 1955, a Mercedes apresentou-se na Mille Miglia com os seus principais pilotos: o ainda bi-campeão mundial Juan Manuel Fangio (tornar-se-ia o primeiro pentacampeão de Fórmula 1 em 1957) e Sir Stirling Moss, o eterno segundo classificado. A táctica a adoptar por Moss foi, segundo as palavras do próprio, bastante simples: andar a fundo, desde o início da prova até ao seu final.

O Mercedes 300 SLR (Sport Leicht-Rennen) era a “arma” de Moss e Fangio para enfrentar o exigente traçado italiano: equipado com um motor de 8 cilindros em linha que debitava cerca de 310cv, a viatura germânica conseguia alcançar velocidades máximas na ordem dos 290 km/h.

Num percurso delineado pelas estradas italianas, o perigo encontrava-se ao virar de cada esquina. Os milhares de espectadores que ladeavam as estradas e acompanhavam a prova também obrigavam os pilotos a cautelas redobradas e manobras pouco ortodoxas. Foi nesta prova que as primeiras notas de navegação (vitais nos ralis dos dias de hoje) foram utilizadas, por intermédio do jornalista Denis Jenkinson.

No final da prova, Sir Stirling Moss foi o piloto mais rápido daquele dia, batendo inclusive o seu famoso colega de equipa. Rotulada por muitos como a melhor corrida de sempre, a edição de 1955 da Mille Miglia tornou-se numa referência no desporto automóvel. Dois anos depois, a prova italiana seria banida após dois acidentes fatais, atirando-a definitivamente para os livros de história. E o recorde de Sir Stirling Moss e Denis Jenkinson permanece incólume até aos dias de hoje.