Faleceu Jean Pierre Beltoise
5 Janeiro 2015 - José Soares da Costa

Faleceu hoje Jean Pierre Beltoise, piloto que durante os anos 70 animou as pistas de Fórmula 1 e Endurance ao volante de criações da Matra e da BRM. O piloto francês ficou também marcado pelo acidente que vitimou Ignazio Giunto, durante os 1000 Kms de Buenos Aires. Beltoise encontrava-se na sua casa de férias em Dakar, no Senegal, onde sofreu dois AVC consecutivos que lhe ceifaram a vida.

Nascido a 26 de Abril de 1937, Jean-Pierre Beltoise iniciou a sua carreira desportiva nas motos, onde ganhou 11 títulos nacionais. Após a passagem pelas duas rodas, o piloto francês transitou para as 4 rodas, onde se estreou como piloto da René Bonnet. Nas 12 Horas de Reims, em 1963, quase perdeu a vida num grave acidente (apenas partiu um braço!). Em 1965 e 1968 ganharia respectivamente o Campeonato Francês de Fórmula 3 e o Campeonato Europeu de Fórmula 2.

Jean-Pierre Beltoise estreou-se na Fórmula 1 no Grande Prémio da Alemanha de 1966, onde participou ao volante de um Matra de Fórmula 2 (uma prática usual na época). Entre 1966 e 1971, foi pilotando diversas viaturas da Matra e Matra International (mais tarde conhecida como Tyrrell). Em 1972, mudou-se de armas e bagagens para a Malboro BRM, com a qual conquistou a sua única vitória na Fórmula 1, no Grande Prémio do Mónaco desse mesmo ano.

Em 1971, Jean-Pierre Beltoise teve o momento mais negro da sua carreira: nos 1000 Kms de Buenos Aires, numa altura em que o seu Matra 660 havia ficado sem combustível a e o piloto francês empurrava a viatura ao longo da pista, o Ferrari 312PB de Ignazio Giunti embateu na traseira da viatura francesa e incendiou-se, deixando o piloto italiano sem qualquer hipótese de sobrevivência. A licença de Beltoise foi suspensa durante 3 meses.

No Mundial de Marcas, Jean-Pierre Beltoise obteve 4 das 9 vitórias que deram à Matra o título em 1974, o último ano da marca francesa na competição automóvel. No final desse mesmo ano, Beltoise abandonou a Fórmula 1 e tornou-se piloto de testes da Ligier. Em 1976 e 1977 conquistou o título no Campeonato Francês de Turismo, onde integrava a equipa oficial da BMW. Mais tarde, ajudou a Alpine-Renault a conquistar o título francês de rallycross e em 1981 regressou aos carros de turismo, pela mão da Peugeot.