Os “Monstros” do Grupo C…
Os Grupo C marcaram uma época nos Sport Protótipos mundiais, tendo deixado muitas saudades para todos os que viram ao vivo ou assistiram às suas prestações através da televisão. A presença de marcas como a Porsche, Jaguar, Toyota, Ford, Mercedes, Mazda, Peugeot, entre muitas outras, tornou o Campeonato do Mundo de Resistência mais popular que a Fórmula 1, atraindo equipas, patrocinadores e pilotos. Infelizmente, interesses obscuros acabariam por ditar o seu fim…
O Grupo C foi criado em 1982 com o objectivo de substituir os anteriores Grupo 5 e Grupo 6, destinado às silhuetas e aos protótipos respectivamente. Colocando o enfâse no consumo de combustível, com depósitos de 100 litros e apenas 5 reabastecimentos possíveis, a escolha da arquitectura de motor utilizada em cada Sport Protótipo era livre para qualquer fabricante. As provas, realizadas em traçados clássicos como Fuji, Silverstone, Kyalami e Le Mans e com 1000km de distância, colocavam à prova qualquer piloto e equipa.
O Porsche 956/962 foi o maior representante desta época de ouro dos Sport Protótipos, tendo competido quer na Europa (no Campeonato do Mundo de Resistência), quer nos EUA. O campeonato IMSA GTP, baseando-se nas regras do Grupo C, retirava qualquer restrição de combustível (levando à escalada de potência dos motores) e colocava os Sport Protótipos em circuitos citadinos exigentes como Long Beach, San Antonio e Del Mar, além de outros traçados como Sebring e Daytona.
http://www.youtube.com/watch?v=evxweFqKxo8
Lancia LC2, Mazda 787B, Jaguar XJR-9, Mercedes C9 e Toyota 90 C-V são alguns dos Sport Protótipos que lutaram taco a taco com os Porsche, deixando os espectadores ao rubro com as ultrapassagens no limite e atraindo-os com a beleza de cada um destes exemplares. Dada a popularidade alcançada pelo Grupo C, interesses obscuros ditaram a adopção de um novo regulamento com motores V10 de 3.5 litros, a partir de 1990. O objectivo? Atrair os fabricantes para a Fórmula 1, a mina de ouro de Bernie Ecclestone.
Com a magra presença da Peugeot e da Toyota entre 1992 e 1993, as grelhas ficaram reduzidas a um número simbólico de viaturas do Grupo C. Os custos elevados e a atribuição de uma penalização às viaturas antigas, através do peso extra, retirou qualquer hipótese competitiva às inúmeras equipas privadas que formavam o esqueleto do Campeonato do Mundo de Resistência. O cancelamento deste campeonato em 1993 ditou a extinção do Grupo C no final desse mesmo ano, pese embora a sua presença tenha sido permitida nas 24 Horas de Le Mans de 1994, por uma última vez. Ironicamente, a vitória foi alcançada por um Grupo C “disfarçado” de GT, o Dauer 962.
O quase desaparecimento dos Sport Protótipos na Europa nos anos seguintes levou à ascenção dos GT nas mais importantes provas nacionais e internacionais. No entanto, o final da década de 90 seria palco do renascimento destas fantásticas viaturas, embora com uma filosofia distinta do Grupo C e sem a espectacularidade e popularidade de outrora…










