Tudo a postos para o arranque da Fórmula 1!
14 Março 2014 - José Soares da Costa

A 64ª temporada do Campeonato do Mundo de Fórmula 1 está prestes a começar com os treinos livres do Grande Prémio da Austrália. Com novos regulamentos, novas restrições aerodinâmicas e novos motores e sistemas de recuperação de energia, a incerteza é elevada no paddock do “Grande Circo”. Será Sébastien Vettel capaz de repetir os feitos das últimas temporadas? Ou surgirá uma nova combinação piloto/equipa capaz de dominar a concorrência?

Com a saída de cena dos motores V8 de 2.4 litros, a Fórmula 1 arranca em 2014 com os novos motores V6 de 1.6 litros, equipados com um turbo-compressor. Será o regresso deste componente mecânico, utilizado pela última vez no Grande Prémio da Austrália de 1988, disputado no circuito citadino de Adelaide e ganho por Alain Prost ao volante do Mclaren MP4/4. Além da nova configuração de motor, os monolugares contam agora com duas unidades de recuperação de energia (ERS), o MGU-K (Motor Generator Unit – Kinetic) e o MGU-H (Motor Generator Unit – Heat).

Enquanto a 1ª unidade replica o funcionamento do KERS existente nos últimos anos, aproveitando a energia cinética acumulada durante as travagens, a 2ª unidade aproveita os gases de escape do turbo-compressor para gerar energia eléctrica que será armazenada na bateria do monolugar. A energia do MGU-H poderá então ser aproveitada para alimentar continuamente o MGU-K, dando mais potência ao conjunto durante a aceleração e evitado o lag do turbo ou poderá então ser utilizada num momento específico (numa ultrapassagem por exemplo).

No caso da MGU-K, o total de energia que poderá ser armazenada situa-se nos 2 MJ por volta, enquanto que no caso do MGU-H não existe qualquer limite atribuído. De acordo com a Renault, Mercedes e Ferrari, as potências dos motores 1.6 litros turbo deverão situar-se nos 600 cv. Já no caso dos sistemas de recuperação de energia, estes deverão fornecer cerca de 160 cv adicionais quando utilizados na sua plenitude.

Após 3 sessões de testes realizadas na pré-temporada (uma no circuito de Jerez de la Frontera e duas no circuito de Sakhir, no Bahrain), as escuderias equipadas com motores Mercedes encontram-se numa posição de vantagem, tendo sofrido poucos problemas mecânicos e efectuado várias séries de voltas (incluindo simulações de Grande Prémios) com tempos relativamente interessantes. A Mercedes AMG Petronas (Lewis Hamilton e Nico Rosberg) apresenta-se com a favorita desta pré-temporada, seguida de perto pela Martini Racing Williams (Felipe Massa e Valtteri Bottas).

A Mclaren, apesar de um sessão de testes em Jerez bastante positiva, não demonstrou a evolução esperada no Bahrain e sofreu vários problemas mecânicos. A incógnita sobre a fiabilidade do MP4-29 permanece no ar, mas caso o monolugar esteja ao melhor nível, Kevin Magnussen e Jenson Button poderão lutar com as melhores equipas. A Force India foi uma das surpresas, rubricando o melhor tempo ao longo de vários dias e situando-se entre as 3 melhores formações da grelha. No entanto, os problemas financeiros de Vijay Mallya podem afectar directamente a equipa e retirar-lhe alguns dos seus mais importantes apoios…

Entre os monolugares equipados com motores Ferrari, o destaque vai claramente para a F14 T desenhado pela escuderia italiana. Com uma dupla de luxo, Kimi Raikkonen e Fernando Alonso, a Ferrari conta com o potencial humano e a experiência necessária para dominar a temporada de 2014. O F14 T revelou-se no entanto mais lento que os seus rivais equipados com motores Mercedes. Além disso, permanecem no ar alguma dúvidas sobre  fiabilidade deste monolugar.

A formação do suíço Peter Sauber voltou a apresentar um monolugar interessante e fiável, embora menos competitivo que a concorrência directa nesta fase inicial da temporada. As questões financeiras levantam algumas dúvidas sobre a evolução da equipa e o desenvolvimento do monolugar ao longo de 2014. Ainda nas equipas com motores Ferrari, a Marussia foi uma das surpresas da pré-temporada, tendo no MR03 o melhor monolugar construído pela equipa até ao momento, capaz de se bater de igual para igual com as equipas do meio da grelha.

No campo da Renault, a pré-temporada foi recheada de problemas mecânicos e sucessivas demonstrações de pouca fiabilidade . A campeã Red Bull teve 3 sessões verdadeiramente para esquecer, efectuando menos voltas que a concorrência e sofrendo várias dificuldades com os motores Renault e respectivos sistemas de recuperação de energia. O RB10, com um design radical que compromete o arrefecimento da unidade motriz, é neste momento um dos monolugares mais rápidos…mas também um dos menos fiáveis do pelotão. Relativamente aos pilotos, Daniel Ricciardo substitui o seu compatriota Mark Webber no 2º Red Bull.

A Toro Rosso, equipa que mudou dos motores Ferrari para as unidades Renault nesta temporada, sofreu dos mesmos problemas da sua “irmã” Red Bull, mas ao contrário desta logrou completar uma simulação de Grande Prémio. No entanto, a fiabilidade do STR9 e a pouca experiência de Danil Kvyat geraram algumas incertezas sobre o desempenho da Toro Rosso em 2014. A Caterham também não teve vida fácil, embora o CT03 seja até ao momento o mais fíavel monolugar equipado com motores Renault. Quanto à Lotus F1, o E22 efectuou poucas voltas, sofreu vários problemas mecânicos e deixou vários pontos de interrogação sobre o seu real desempenho.

A nova temporada da Fórmula 1 está ao virar da esquina, com renovados motivos de interesse e uma nova geração de Fórmula 1, mais eficientes e ecológicos. O regresso dos turbo compressor traz consigo a nostalgia de outros tempos, outros pilotos e outros valores. O escalão maior dos desportos motorizados sofreu uma revolução que a transfigurou, actualizando-a de acordo com as novas exigências do mercado automóvel. Mas no capítulo desportivo, quem é que saboreará o 1º champagne da temporada? Saberemos isso na madrugada de Domingo, a partir das 6h de Portugal Continental…